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Mwarusi

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No dia 24/09, tive a oportunidade de participar do evento de Setembro do Apenas um Jogo, promovido pelo Luiz Falcão no Espaço de Tecnologias e Artes do SESC Itaquera: Jogos para o Projeto Mwarusi.

A primeira coisa que gostaria de evidenciar é sobre como o mundo dá voltas. Quando ainda cursava a graduação em Administração, tive a ideia de realizar uma Monografia sobre a Relevância sócio-econômica do Terceiro Setor no Brasil. O professor responsável me fez trocar de tema, alegando que este não era relevante (eu tive uma reação muito parecida com a que você provavelmente deve estar tendo agora). De lá para cá, sempre fiquei muito receoso quando o assunto envolvia ONGs (Organizações Não-Governamentais, que por vezes configuram um tipo de instituição conhecida por OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Mas o motivo não era a "não-relevância" defendida por meu ex-professor: durante o levantamento bibliográfico de minha pesquisa embrionária, descobri que o 3…

Calendário

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No dia 16/09, foi dia de repetir a dose de Calendário, do Caue Reigota. Depois do FERVO de Setembro (cuja etnografia pode ser vista aqui, além de um relato do Luiz Prado), algumas pessoas de Sorocaba incentivaram a realizar o larp do Caue na "blackbox sorocabana".
Contamos com 5 participantes, e o modelo adotado foi de uma reunião familiar, regada à sorvete e, após o larp, discutimos novamente sobre a facilidade de participação do Calendário, inclusive para apresentar a linguagem para novos participantes (2, na ocasião).
De minha parte, registro a dificuldade de realizar a etnografia de duas aplicações sequenciais de um mesmo larp. Ao tentar realizar observações, as impressões de ambos se nublam, o que deverá ser futuramente explorado para procurar alternativas.

Calendário

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Na última edição do FERVO, em 06/09, foi a vez do larp Calendário, do Caue Reigota. Minha história com o Calendário é longa: sou um grande amigo do Caue (inclusive, tivemos juntos o nosso primeiro contato com o larp, num evento do Taberna Terra Rasgada), e já tive diversas oportunidades de participar desse larp desde sua criação, em 2012. Ao desempenhar papéis com um grau de abstração tão grande (como é o caso de "ser" por um tempo um mês do ano) leva os participantes a interpretações diversas. Como seria Dezembro? Uma pessoa quente? Festiva? Generosa? Glutona? As possibilidades são inúmeras. E cabe a cada um compor seu mês e o dos outros.

Se os papéis já criam estímulos diversos no larp, a última edição do FERVO deixou claro o quanto o ambiente também é um elemento a ser observado: Calendário (até onde eu sei) já foi feito em lajes de casas, garagens, sala de oficinas do SESC, palcos e universidades. O que foi proposto dessa vez é uma house party, aproveitando a descontraç…

Hvid Død

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Dia 27/08 foi a vez de Hvid Død / White Death / Morte Branca, um larp dinamarquês de 2013, desenvolvido pela Nina Runa Essendrop e pelo Simon Steen Hansen. Organizado por Luiz Falcão no Espaço de Tecnologias e Artes do SESC Itaquera, como parte da programação Apenas um Jogo, que vem ocorrendo mensalmente em 2017.
O larp contou com 7 participantes (+1 organizador, totalizando 8 pessoas envolvidas). O primeiro destaque vai para o extenso workshop que antecede o larp. O motivo? Morte Branca é um larp mudo, onde toda a interação entre os jogadores se dá pela expressão corporal. Desnaturalizar os corpos, e a necessidade de criar personagens a partir dos novos corpos, desenvolvidos a partir de exercícios que envolvem restrições de movimentos, levou os participantes à comentários sobre como, por vezes, não percebemos nossos próprios corpos.

Morte Branca é sobre um grupo de pioneiros que tentaram a vida nas montanhas, mas acabam o larp sobrepujados pela neve. Além de ser proibitivo quanto à v…

Amor, vou matar o presidente, volto já.

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No dia 10 de agosto, fui um dos participantes de Amor, vou matar o presidente, volto já, um larp de Julio Borges. O larp ocorreu n'A Gruta, bar bem aconchegante, promovido pelo FERVO. Compareceram um total de 4 participantes, e o larp não tem muita enrolação: é chegar e já começar!

Extremamente pertinente em tempos de política tão polêmica, a postura dos participantes, sem nenhum acordo prévio, foi de trazer nosso cenário político real, sem criar nenhuma nova realidade puramente imaginária. Parabéns ao roteiro de Borges, que nos puxou para essa reflexão.
Antes de continuar, uma pausa merecida: a motivação dessa postagem. Pretendo, começando agora, criar um relato de caráter etnográfico de cada larp que eu participar. Com isso, mais do que descrever como foi a narrativa experimentada, a ideia é falar sobre o entorno, e os participantes.
Destarte, é importante ressaltar que, depois de aproximadamente duas horas de larp, a conversa que se sucedeu seguiu por mais quase outras duas. N…

Sobre a Saturnalia Sorocabana

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Nos dias 22 e 23 de Julho de 2017, três eventos tiveram por tema o larp na cidade de Sorocaba (interior de São Paulo). O apelido desse conjunto veio da proposta de Brian Morton, no livro Lifelike: um dos "primos" mais antigos dos larps seriam as Saturnalias romanas, festividades onde o roleplay marcava sua presença.
O primeiro desses eventos foi o encontro de julho do Grupo de Estudos de larp, que ocorre desde janeiro. A proposta do grupo é discutir livro a livro da conferência nórdica de larp. Em julho, o tema foi o livro da conferência de 2006, Role, Play, Art. Os eventos têm sido extremamente profícuos, com uma interlocução que, além do estudo do próprio larp, conta com aportes de áreas como o Teatro, a Filosofia, a Psicologia e a Comunicação.
O segundo evento foi o Ajuste os controles para o centro do sol, um larp de Luiz Prado. O larp foi escolhido para inaugurar a "blackbox sorocabana", apelido carinhoso para a garagem desocupada em minha casa, onde a partir…

Desbravando um novo terreno

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A ideia desse blog é registrar minhas reflexões sobre larp, ou live action role play (Não sabe o que é? Recomendo passar por aqui, e depois vir para ).
Resumos do que tenho lido, relatos dos larps que tenho participado e/ou organizado, alguns roteiros que porventura desenvolva. Enfim, reflexões sobre larp.
Tal ímpeto surgiu após meu percurso no Mestrado (dissertação disponível aqui), onde comecei a me aventurar como pesquisador dessa prática, que pode ser vista como um jogo, uma expressão artística, uma mídia e/ou uma linguagem. Seus "usos" vão desde o entretenimento à experimentação artística, passando por instrumentalizações pedagógicas e terapêuticas.
Enfim, mais do que me prorrogar, o objetivo dessa primeira postagem é apresentar.